As filhas de Esther só estudaram as primeiras séries. Como e por que continuar os estudos? As escolas eram poucas e longe. Além disso, mulher não precisava estudar, mas aprender costurar, cozinhar, arrumar casa... Tudo para garantir um bom marido.E assim aconteceu com elas. Mas como a falta de modéstia estava no DNA da família, mãe e filhas se achavam doutoras no assunto “formação doméstica”. Curiosamente, a única a cursar uma faculdade foi Rosilda que entrou na casa para trabalhar e, com o tempo, se tornou membro da família, a irmã do coração.
Conto tudo isso para lembrar a confusão ocorrida quando, nos anos 80, Maria José resolveu voltar à escola e terminar o ginásio. “Endoideceu”, anunciaram todos, inclusive Esther, ainda viva naquela época.
Nem comentaremos aqui a reação do Lacerda, quando viu ameaçada sua rotina familiar, especialmente o almoço quentinho ao sair da loja, o lanche da tarde etc. Ele ficou mais nervoso e insone que de costume e intensificou as corridas, feitas de madrugadas, ao redor da mesa de jantar. Bom, mas isso é outra história...
De fato voltar à escola era uma loucura, especialmente considerando que Maria José tinha cinco filhos para cuidar: o Kleber e a Kátia já ficando mocinhos, o Kássio e a Kênia dando um trabalhão danado (especialmente para estudar!) e a Karla... Imaginem só: a Karla ia ser colega de sala da própria mãe. Que mico (desconfio que essa palavra nem era usada na época...)!
Nada disso abalou a decisão de Maria José, que arrumou sua pasta, comprou um uniforme e, toda falante, voltou a estudar.
Na próxima semana, saibam como terminou essa história... Até lá desfrutem a imagem de Maria José, numa das sessões de aconselhamento que fez com a renomada dra. Elizeth para superar o trauma de sua experiência escolar tardia....



























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