sexta-feira, 28 de maio de 2010

Homenagem póstuma a Evaldo Lacerda

Tomo a liberdade de transcrever o texto preparado por um colega do Evaldo Lacerda, numa homenagem póstuma. Não apenas porque Evaldo era um pouco nosso primo, e todos sofremos com sua partida. Mas também porque o texto fala de nossas perplexidades diante da morte. Da sensação de espanto, raiva e da busca desesperada da esperança. Várias vezes, nos últimos tempos, vivemos tal sensação. Com o falecimento da Tia Maria José, do Tio Toni e do próprio Evaldo.  Por isso precisamos estar juntos. Para compartilhar as dores e saudades e, sobretudo, para tecer novos sonhos e esperanças. A foto ao lado, tirada da minha janela, fala-nos dessa esperança.  Beijos.


 Um grande nome mineiro

Nem bem o ano começou e ele nos abandonou. Foi no dia 22 de janeiro.
Perdeu a batalha pela vida, mas deixou uma importante marca: Evaldo Lacerda Vilaça.
Falar de Evaldo é prazeroso, assim como operar na sala ao lado e ouvir as indefectíveis frases:
“Querida, não saia da sala toda hora, apesar de se chamar circulante”,
“Apresente direito essa mama, pois não estou vendo”, e por aí iam outras reclamações durante o ato cirúrgico. Sua maneira de falar passava da repreensão à brincadeira e tudo terminava em boas gargalhadas.
Apesar da tristeza recente, ainda me pego sozinho dando risadas ao lembrar dos acontecimentos, seja no apartamento de hotel, que dividíamos nos congressos, seja durante as apresentações mas, principalmente, no café da manhã, quando suas abordagens eram realmente dignas de registro. No congresso na Bahia, por exemplo, ele trocou de lugar com a “baiana do omelete”.

Evaldo era, sem dúvida, a maior autoridade mineira em procedimentos complementares rejuvenescedores em cirurgia plástica.  Trazia beleza e satisfação a seus pacientes de uma forma única, praticando a modernamente chamada medicina baseada em evidências e calçada na ciência, junto de suas incansáveis horas de estudo e sua ligação cientifica com a UFMG.
Sempre nos víamos e trocávamos informações nessa área. Era nítida sua projeção em palestras por todo Brasil.
Um dia em que operamos na mesma clínica vi o guerreiro exaurido. Depois disso, telefonei e ele não atendeu. Então, senti um calafrio; receio confirmado depois,
com a notícia de uma internação hospitalar. Começava aí o calvário que consumiu a ele e a todos nós que o rodeávamos. Depois de sete meses de internação, o guerreiro perdeu sua última batalha.
Foi sua única derrota nesta curta estada conosco. Recebi a ligação de seu irmão, dizendo que o guerreiro calou, calou-se para sempre.
Neste momento, começo minhas indagações sobre a vida: será ela traiçoeira, que mais cobra que dá?
Será ela nos ensinando que o verdadeiro sentido somos nós que descobrimos?
Viver 10 anos a mil ou mil anos a 10?
Estudar muito e divertir pouco ou vice-versa?
Na verdade, um provérbio antigo chinês diz: “Quanto mais intensa a chama, menos dura a vela”.
Escrevo hoje com um misto de revolta e dor. Por que precisamos ir embora, por que temos que perder aqueles de quem gostamos? Mas na hipótese da longevidade se tornar real, quão chato seria viver muito com tudo igual!
Mas Evaldo ainda tinha uma grande estrada pela frente e contribuiria muito para a felicidade humana.
Era um ser especial, estudava e trabalhava para fazer os outros felizes.
Sua mente era inquieta e altamente produtiva e não deixava de alfinetar todo esse status quo atual.
Abandonou o conforto da linguagem, do entendimento e das raízes e rumou para o microcosmo dos íons e moléculas para trazer luz ao mundo do rejuvenescimento e da cirurgia plástica, em uma área em que somos tão frágeis hoje e que sofremos tantos ataques.
Voltou à sua terra natal maior do que saiu, mas ainda sim era o retorno do menino do interior às origens.
O irlandês George A. Moore disse: “Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta à casa para encontrá-lo”. Assim, o guerreiro de chama alta e mente inquieta, de mil anos a 10, voltava para casa em paz e para a paz que tanto procurava.
Que pena! Que dor! Que saudade!!!!!!!!!!!!!!
                                    Jorge Menezes

domingo, 9 de maio de 2010

Feliz dia das mães

Hoje, nossa homenagem a todas as mães.
Essas mulheres especiais que cuidam dos filhos, trabalham fora, decoram a casa, fazem unhas, preparam tira gosto para os maridos, ignoram a falta de educação deles (ou dos filhos), oram para o Santíssimo ajudar, correm para uma liquidação imperdííível, visitam a própria mãe, as irmãs e amigas, se desdobram, se multiplicam, tornam-se invisíveis ou onipresentes...
Além de abraçar seus filhos, tem braços para acolher os filhos dos outros.
E ainda por cima arranjam tempo para sonhar.
Para provar a versatilidade das mães,
a pedido reapresentamos a grande performance de Maria da Conceição,
que, com ardor, abraçou o Tango argentino e, é claro, o dançarino.